Entrevista SBT: Rachel Sheherazade, jornalista e √Ęncora do SBT Brasil

22/02/2018ūüĆźJorge Gondim
Reprodução da Entrvista
SBTpedia
 Por Jos√© Eust√°quio J√ļnior (@juniorpitangui) e Pedro Nascimento (@pedromnascimento)
Com 7 anos em rede nacional e 15 anos no total de SBT (se contabilizarmos o tempo de TV Tamba√ļ, na Para√≠ba), Rachel Sheherazade hoje √© uma das principais √Ęncoras do Pa√≠s e se tornou, sem d√ļvida, a cara do SBT Brasil, que vive, hoje, uma das suas melhores fases de audi√™ncia desde que estreou em 2005 na programa√ß√£o. A jornalista concedeu entrevista ao SBTpedia e, como n√£o poderia deixar de ser para uma pessoa de opini√£o forte, n√£o deixou nada escapar. Falou sobre a rela√ß√£o com o ex-parceiro de bancada Joseval Peixoto e o atual Carlos Nascimento, renova√ß√£o de contrato, a experi√™ncia de ter sido rep√≥rter/correspondente no ano passado, sobre o politicamente correto, vitimismo e dos ataques contra ela nas redes sociais de seguidores de Jair Bolsonaro. E ainda revelamos mais uma nova f√£ da Netlflix. Confira na √≠ntegra a conversa:

SBT: Rachel, você é mulher, nordestina e bem-sucedida. Esse conjunto de características ainda incomoda muito as pessoas, inclusive colegas jornalistas. Como você vê isso? Na TV é ainda mais complicado?
Rachel Sheherazade: Sei que poderia me encaixar em v√°rios r√≥tulos de minorias: sou mulher, nordestina, e, agora, divorciada. Mas esse perfil “coitadista” n√£o combina comigo. Como toda nordestina, sou, antes de tudo, forte. Como toda mulher, me orgulho do meu g√™nero feminino.  Acho que n√£o podemos nos intimidar com o preconceito, que, sabemos, existe, e √© forte. Minha receita √© enfrentar o preconceito, sem dar muita import√Ęncia ao preconceituoso, que √©, no fundo, um ignorante. Encaro o preconceito sem maximiz√°-lo e sem me vitimizar. Sou mais forte do que os que me detratam. Tenho f√© nas minhas potencialidades. Ao longo de minha vida, tenho vencido unicamente por meus m√©ritos, n√£o pelas minhas pseudo-fragilidades. Assim, n√£o acredito que as pessoas d√£o certo ou d√£o errado pelo seu g√™nero, condi√ß√£o social ou origem. Elas vencem por que s√£o capazes, por que resistem √†s vicissitudes da vida e da carreira.  No final, √© somente isso que voc√™ tem que provar: que √© bom de verdade.

SBT: O Brasil acabou de comemorar mais um ano de Carnaval e, como todos sabem, voc√™ ficou conhecida nacionalmente por conta de um v√≠deo no qual voc√™ teceu alguns coment√°rios √°cidos a respeito como “o Carnaval √© um neg√≥cio e dos ricos”. Como voc√™ v√™ essa festa hoje?
Rachel Sheherazade: Nada mudou na minha vis√£o do Carnaval, por que o Carnaval n√£o mudou.

SBT: Recentemente, o SBT Brasil se despediu do √Ęncora Joseval Peixoto, que estreou junto com voc√™ no jornal em 2011. Como foi a rela√ß√£o entre voc√™s durante esses quase 7 anos?
Rachel Sheherazade: Nossa rela√ß√£o foi e √©, acima de tudo, uma rela√ß√£o de amizade profunda. Quando cheguei √† S√£o Paulo, o Joseval Peixoto e sua fam√≠lia me acolheram e aos meus filhos, com o cuidado de um pai, e o carinho de um grande amigo. Sou muito grata por esses anos ao lado dele. Aprendi muito com o “mestre” Joseval: sobre a carreira, o direito, a vida... Tive a honra de ser sua parceira de bancada no SBT Brasil e, tamb√©m, de dividir os microfones da R√°dio Jovem Pan, onde apresentamos, juntos, o tradicional Jornal da Manh√£. Ali√°s, estou devendo-lhe uma visita l√° na Jovem Pan...
 Rachel Sheherazade ao lado de Carlos Nascimento, companheiro de bancada do SBT Brasil

SBT: Atualmente você divide a bancada com o jornalista Carlos Nascimento. Como é trabalhar com ele?
Rachel Sheherazade: Costumo dizer que sou a mais feliz das jornalistas, pois tenho a sorte de trabalhar com profissionais que sempre me inspiraram enquanto estudante. Dividir a bancada do SBT Brasil com o Nascimento √© outra d√°diva. Ele sempre foi um norte no telejornalismo. √Č um profissional completo. Come√ßou no r√°dio (como o Joseval), passou pela reportagem de rua (como passei), foi correspondente estrangeiro, editor, apresentador... Tem uma vis√£o jornal√≠stica muito madura e um olhar cr√≠tico sobre a not√≠cia que falta a muitos. Al√©m de tudo, √© um cidad√£o extremamente √©tico e um amigo muito bem-humorado. √Č um privil√©gio trabalhar com algu√©m que voc√™ admira profundamente.

SBT: Qual a sua opini√£o sobre o formato do SBT Brasil atual? Voc√™ sente falta de algum conte√ļdo espec√≠fico no jornal, como, por exemplo, reportagens especiais?
Rachel Sheherazade: O SBT Brasil √© um jornal din√Ęmico e que n√£o tem medo de mudar para acompanhar as demandas do seu p√ļblico. Em 2011, o jornalismo do SBT estava bastante voltado √† opini√£o e an√°lise de seus √Ęncoras e jornalistas. Esse formato foi muito bem recebido e elogiado durante anos. Mas, hoje, fazemos um telejornal que aborda muito a quest√£o da seguran√ßa p√ļblica, um assunto de relev√Ęncia total para o nosso telespectador. Acho que esse √© o papel de quem faz a televis√£o.  Estar atento e sens√≠vel aos anseios do p√ļblico e nutrir esse telespectador de informa√ß√£o confi√°vel e de qualidade. √Č isso que fazemos no nosso telejornal. Mudamos sempre que h√° uma demanda por mudan√ßa. E quem dita essas mudan√ßas √© o nosso p√ļblico.

SBT: No segundo semestre de 2017, voc√™ aproveitou suas f√©rias para atacar de rep√≥rter e produzir uma s√©rie de reportagens especial na Nova Zel√Ęndia que foi ao ar no SBT Not√≠cias. Voc√™ acha interessante essa possibilidade do √Ęncora ir a campo e tamb√©m realizar mat√©rias?
Rachel Sheherazade: Foi uma experi√™ncia in√©dita para mim. Apesar de ter atuado como rep√≥rter em duas outras emissoras, no in√≠cio da minha carreira, nunca havia tido a oportunidade de atuar como correspondente estrangeira. E l√° estava eu, do outro lado do planeta, emprestando, ao telespectador brasileiro, uma vis√£o diferente de mundo, entrevistando pessoas em outra l√≠ngua, reportando fatos que acontecem fora do meu pa√≠s. Pude ver de perto a situa√ß√£o de cidades que foram devastadas por terremotos num momento de grandes desastres naturais acontecendo simultaneamente. Estar em contato mais direto com a not√≠cia √© sempre muito estimulante: uma experi√™ncia maravilhosa que pude reviver e espero repetir outras vezes. 
SBT: À exemplo de Ana Paula Padrão e Fátima Bernardes, que migraram do jornalismo para o setor de entretenimento, você também pensa, no futuro, apostar em outros segmentos na TV?
Rachel Sheherazade: Sou apaixonada por jornalismo e amo tudo na televis√£o. Acho que o bom comunicador n√£o faz acep√ß√£o de p√ļblico ou de conte√ļdo.  Quem trabalha em televis√£o precisa estar dispon√≠vel para desafios os mais variados: do jornalismo ao entretenimento. Assim, costumo dizer que, na televis√£o, me comporto tal qual um soldado numa batalha. N√£o importa onde vou atuar. S√≥ me interessa entrar em campo.

SBT: Recentemente, durante o Jogo dos Pontinhos, Silvio Santos disse que queria colocar no ar um programa que colocasse frente a frente Ricardo Boechat (hoje na Band e segundo ele de “esquerda”) e voc√™, Rachel, como representante de direita. Como voc√™ v√™ essa ideia e um programa de debates √© algo que j√° passou pela sua cabe√ßa?
Rachel Sheherazade: Programa de debate n√£o √© novidade para mim. Antes de vir para o SBT em S√£o Paulo, apresentava, no meu estado de origem, um programa jornal√≠stico com debates di√°rios. Receb√≠amos pol√≠ticos e pessoas ligadas ao poder, e discut√≠amos diversos temas pol√™micos. Foi uma grande escola para mim.

SBT: Imprensa já começa a especular bastante sobre seu futuro profissional, indicando que seu contrato vence este ano no SBT e pode não ser renovado ou você optar em sair. O que há de verdade em tudo isso e em que pé está a situação?
Rachel Sheherazade: Sempre que se aproxima o fim de um contrato, surgem in√ļmeras especula√ß√Ķes. √Č natural que as pessoas fiquem ansiosas para saber as cenas dos pr√≥ximos cap√≠tulos. O que posso dizer a respeito dessas especula√ß√Ķes √© que, por enquanto, nenhuma √© verdadeira. Fato mesmo √© que minha rela√ß√£o com o SBT sempre foi de muito respeito, admira√ß√£o e profissionalismo m√ļtuos. √Č uma empresa sensacional que faz parte da minha vida h√° exatos 15 anos, contabilizando o per√≠odo em que trabalhei na afiliada da Para√≠ba. Assim, n√£o importa o desfecho dessa rela√ß√£o de trabalho, minha rela√ß√£o com o SBT e o S√≠lvio Santos sempre ser√° de muito carinho e gratid√£o.

SBT: Existe uma cr√≠tica frequente que hoje a TV vive uma ditadura do “politicamente correto”, com uma patrulha recorrente nas redes sociais. Voc√™ consegue identificar isso e como voc√™ v√™ essa situa√ß√£o?
Rachel Sheherazade: Sim. Vivemos a imposi√ß√£o do “politicamente correto” que se traveste de defesa da √©tica, mas n√£o passa de um estado permanente de censura. Censura-se tudo o que foge √† agenda de grupos ideol√≥gicos hist√©ricos. Censura-se, inclusive, o que √© verdadeiro, criativo, bem-humorado, sincero... Infelizmente, caminhamos para uma democracia √†s avessas, uma liberdade vigiada, onde as a√ß√Ķes e pensamentos ser√£o ditados pelo medo da reprova√ß√£o de fac√ß√Ķes minorit√°rias, mas bem barulhentas, que nem sempre sabem o que √© melhor para a sociedade. Se n√£o detivermos essa ditadura do politicamente correto, nosso fim ser√° a hipocrisia ampla, geral e irrestrita.

SBT: Nas redes sociais, constantemente voc√™ tem sido alvo de cr√≠ticas dos eleitores do candidato √† presid√™ncia Jair Bolsonaro, os chamados “bolsominions” e “bolsomitas”. Pode nos explicar como tudo isso come√ßou?
Rachel Sheherazade: Os ataques come√ßaram desde que passei a desmentir boatos de que eu estaria apoiando a candidatura dele e de que eu sairia candidata ao seu lado ou por seu partido pol√≠tico. H√° muito tempo, venho alertando meus seguidores de que, apesar de me denominar uma liberal-conservadora, n√£o sou apoiadora do Bolsonaro (que ali√°s, considero um conservador de ocasi√£o). Mas, not√≠cias falsas como essas vinham se multiplicando, com a proximidade das elei√ß√Ķes. Tudo que fiz foi usar minhas redes sociais mais duramente para desmentir as Fake News, o que desagradou em cheio pessoas ligadas ao pol√≠tico, como seus filhos e partid√°rios.

SBT: Entramos em um ano eleitoral e suponho que voc√™ recebe ou j√° recebeu in√ļmeros convites para filiar e entrar numa disputa pol√≠tica. √Č algo que passa por sua cabe√ßa no futuro?  Como voc√™ se descreve ideologicamente?
Rachel Sheherazade: No espectro pol√≠tico, considero-me uma liberal-conservadora, pois acredito na for√ßa das institui√ß√Ķes e na tradi√ß√£o democr√°tica, assim como defendo a liberdade individual, a propriedade e a vida como direitos basilares. Sempre recebo convites para me filiar a algum partido e lan√ßar candidatura. Mas, devo refor√ßar que n√£o passa pela minha cabe√ßa entrar na pol√≠tica partid√°ria e viver dela. Pol√≠tica √© coisa s√©ria, uma quest√£o de voca√ß√£o. No momento, acredito que posso contribuir com meu pa√≠s muito mais como jornalista.

SBT: Vendo como profissional de TV e pessoa que gosta de política, como você analisaria a candidatura de Luciano Huck?
Rachel Sheherazade: Toda candidatura √© v√°lida, desde que n√£o se burle a lei eleitoral. No fim das contas, quem vai dizer se o candidato X ou Y √© vi√°vel, ser√£o as urnas.

SBT: Para fechar, um momento de descontra√ß√£o. Conta pra gente o √ļltimo filme que voc√™ viu, o √ļltimo livro que voc√™ leu e qual s√©rie voc√™ est√° acompanhando pra valer.
Rachel Sheherazade: O √ļltimo filme a que assisti foi “As Sufragistas”, que conta a hist√≥ria das primeiras mulheres a lutar pelo direito ao voto na Gr√£-Bretanha. Recomendo demais. Estou lendo “SAPIENS”, um best-seller do israelense Yuval Noah Harari, que conta a origem do homem na terra e seu caminhar rumo ao topo da cadeia alimentar. Fant√°stico. Imperd√≠vel! Quanto √†s s√©ries, a √ļltima que acompanhei foi “Versailles”, sobre os bastidores do reinado de Luiz XIV. Infelizmente, ainda n√£o terminei. Oh, Netflix... Libera as pr√≥ximas temporadas, por favor!

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